sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Olhos

Cruzei o meu olhar com o teu por instantes. Hoje, trouxeste os olhos da cor da camisola.
O cabelo estava mais parecido com o Sol que nos outros dias quando, gigante, mergulha no mar no fim do dia. Não sei porque o seu tamanho muda de cada vez que olho para ele nessa altura, mas o teu cabelo fez-me lembrar as bolas de fogo gigantes que prendem o nosso olhar até doer.
Sinto-me crescer quando vejo o teu sorriso, como se o meu corpo não coubesse nas roupas que trago. Se calhar por isso me gosto de despir ao pé de ti, tirar de cima de quem sou o que me cobre, destapar o que quero ser, por te ter aqui.
Sou cada vez mais os dias que vão passando, e o meu caminho é feito pelas pedras que piso no meu vagar determinado. Vou andando sem destino, preso ao horizonte que os meus sonhos definem à minha frente. Sinto que me levas pela mão, ou que me empurras noutras vezes. Nada me pára porque sinto que caminhamos entrelaçados. Os nossos dedos dão forma aos nós que prendem os nossos espíritos.
Também o teu olhar me prende, mais ainda hoje, que trazes os olhos da cor da camisola.
Vai-me dizendo de que cor queres que traga as minhas. Invade o meu roupeiro porque também eu te quero fazer sorrir, de cada vez que os nossos olhares se cruzarem como hoje, um dia que podia ser igual a todos os outros, não fosse ter ficado deslumbrado, uma vez mais, por estar contigo.