terça-feira, 18 de março de 2008

Destino

Um dia cheguei a um sítio qualquer, a um dos vários sítios por onde tenho andado e chegado e partido de seguida, numa roda viva de que me iludo nunca ter fim, porque o caminho vejo-o sempre mais reconfortante do que a meta, quando uma voz metálica e fria de uma máquina pendurada no pára-brisas do carro me disse, com a intenção de quem quer dar boas notícias, uma simples frase que me encheu de tristeza ao ponto de a desejar atirar janela fora, uma frase que dita daquela forma seca ainda agudizou mais a angústia já contida nas palavras proferidas: “chegou ao seu destino”!
Maldita máquina! Sabe lá ela! Posso não estar conectado a nenhum satélite, mas ai de quem me procurar orientar. Perdido sou porque apenas assim me encontro, definindo os meus limites de cada vez que embato contra as paredes. Se me encontrasse perdido ficaria, de vez, sem remédio nem interesse.
A minha bússola não aponta para Norte, excepto às vezes. Noutras alturas, deixa-se confundir com o movimento do Sol e segue o seu trajecto no espaço sideral.
Não é por mal que sou assim, eu juro. Resolvo a coisa achando que o meu destino afinal, é continuar a perder-me permanentemente. E por isso nenhuma máquina me valerá nunca, e ainda bem.